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Sofala: Maringuéno trilho do desenvolvimento



 O DISTRITO de Maringué, a Norte da província de Sofala, um dos mais flagelados pela guerra dos 16 anos que assolou o pais, está já a trilhar o caminho do desenvolvimento, o que já vai sendo visível com a concretização de vários projectos tudo fruto da paz que se vive. “As pessoas brincam e não há problemas de segurança”, congratula-se o administrador local, Francisco Garrife, em contacto com o nosso jornal.


 


A partir de 2002, com a reabilitação da EN1 (Centro-Nordeste), passou a ser possível a circulação normal de pessoas e bens através do cruzamento de Nhamapaza, o que reduziu a distância da Beira à vila de Maringué para 340 quilómetros, contra os 537 que se percorriam via Macossa, na vizinha província de Manica, para chegar àquela região.


 


A Reportagem da nossa delegação da Beira que trabalhou há dias em Maringué, constatou que efectivamente novos “ventos sopram” na zona. Por exemplo, na vila sede, a energia eléctrica da rede nacional já é uma realidade há aproximadamente dois anos. A água canalizada também. Ainda este ano vai nascer uma fábrica de descaroçamento de algodão, uma das “bandeiras” da região. Outra unidade industrial que este ano vai nascer dedicar-se-á ao processamento de mel. Por outro lado, conseguimos apurar que “ninguém fala de fome em Maringue”.


 


Estes e outros indicadores sobre os passos que o distrito está a dar rumo ao seu desenvolvimento,  o leitor poderá encontrá-los nas linhas que se seguem:


 


Água canalizada para três mil pessoas


 


A vila de Maringuè já tem água canalizada, ainda que em regime experimental, beneficiando mais de três mil consumidores. Segundo o administrador distrital, Francisco Garife, o precioso líquido é captado há 72 metros de profundidade no rio Nhamapaza, onde se fez um campo de furos. A partir daqui, é bombeado para uma cisterna com capacidade de 53 mil metros cúbicos.


 


Numa primeira fase, foram montadas quatro bombas eléctricas, construídos três fontanários públicos e estabelecidas 21 ligações domiciliárias, o que custou, na globalidade, quatro milhões de meticais.


 


A concretização desta iniciativa representa, para o Governo e residentes da vila de Marínguè, uma grande satisfação pois, conforme apurámos no terreno, anteriormente os utentes recorriam à água retirada de charcos, o que naturalmente representava um sério atentado à saúde pública.


 


Além disso, passaram à história as longas filas que se verificavam nos poços tradicionais, havendo já mais tempo para as comunidades se dedicarem a outras actividades como a produção de comida, ensino-aprendizagem, entre outras.


 


Outro impacto é que a população circunvizinha da vila-sede do distrito de Marínguè também beneficia dessa água canalizada percorrendo uma menor distância de aproximadamente cinco quilómetros.


 


No geral, o distrito de Marínguè conta com 124 furos de água espalhados pelas localidades de Senga-Senga, Canxixe-sede, Marínguè-sede, Gumbalansai e Súbue e ainda 13 regulados.


 


Instalação à vista da fábrica de descaroçamento do algodão


 


 ESTÁ prevista ainda para este ano a instalação da primeira fábrica de descaroçamento de algodão na zona de Nhamapaza, posto administrativo de Súbue, em Maringué, que vai igualmente servir para a produção de óleo alimentar, sabão e outros derivados.


 


A obra, uma iniciativa da “China Africa Cotton”, cuja primeira pedra já foi lançada faltando, entretanto, a expansão da corrente eléctrica, deveria ser concretizada no ano passado, mas tal não aconteceu devido à instabilidade política que afectou a zona, sendo que com a trégua definitiva em vigor os investidores já estão a “arregaçar as mangas” para a concretização do projecto.


 


Segundo um memorando de entendimento celebrado entre o Governo e investidores, a prioridade na mão-de-obra vai para o mercado local, enquanto a parte técnica poderá vir de qualquer canto do país e não só. Tal, de acordo com administrador Garrife, visa reduzir os elevados índices de desemprego entre os jovens que deambulam pelas ruas do distrito de Maringué, mesmo depois de alguma formação profissional.


 


Tendo como principal “bandeira” o algodão nas culturas de rendimento, o distrito espera produzir este ano 2.946 toneladas, numa área planificada em 5.130 hectares, e sementeira em 4.737 hectares.


 


Gumbalansai, Canxixe, Súbue, Nhamacolomo e Phango são consideradas as áreas mais férteis na produção das culturas de rendimento no distrito de Marínguè.


 


 


 No âmbito do Plano Operacional da Produção de Alimentos (POPA), o distrito de Marínguè planificou nesta campanha 2016-2017 uma área de mil hectares, tendo semeado 850 com a previsão de colher 1.200 toneladas na cultura de milho.


 


Já nesta 2ª época, estão planificados 388 hectares também para a produção de milho com perspectiva de atingir 5.755 toneladas, enquanto dos 1.715 hectares de hortícolas espera-se colher 5.984 toneladas de tomate, cebola, couve, repolho, pepino e outras culturas na baixa do rio Nhamapaza e nos 19 sistemas de irrigação existentes em Marínguè.


 


“Isto mostra claramente que Marínguè já não é o mesmo de ontem. As pessoas brincam e não há problemas de segurança. Mas estamos a sensibilizar a população no sentido de não vender todo o excedente agrícola para garantir a sua segurança alimentar”- indicou o administrador do distrito, recordando que a fome do ano passado obrigou que as pessoas até consumissem raízes.


 


Por seu turno, o director das Actividades Económicas em Marínguè, Carlos Coimbra, considerou o  distrito como sendo bastante produtivo com áreas muito férteis e ricas em recursos naturais.


 


Descreveu que a população é activa, principalmente na produção agrícola, num agregado de cerca de 17 mil famílias, sendo que as principais culturas de rendimento são algodão e gergelim.


 


Trata-se de um distrito com um clima seco e o principal rio, Nhamapaza, não é periódico, com água apenas quando chove. A agricultura é de sequeiro.


 


Na globalidade, dos 70.793 hectares previstos nesta campanha agrária 2016-2017 foram lavrados e semeados 70.696 hectares e prevê-se a produção de 134.199 toneladas de produtos diversos.


 


A segurança alimentar prevista é de 85 mil toneladas em cerais e a necessidade alimentar para 97 mil habitantes está fixada em 17 mil toneladas.


 


“Como estamos no período da colheita, podemos adiantar provisoriamente que não teremos problemas de fome este ano no distrito de Marínguè”- assegurou Coimbra, apontando Phango, Chionde, Nhadungo, Nhangalale, Palame, Senga-senga, Matombo, Nhamacala, entre outras, como as zonas mais produtivas.


 


O directorreferiu ainda que este ano, em Marínguè, as autoridades conseguiram sensibilizar os camponeses a praticar culturas tolerantes à seca, havendo muita mapira em campo, o que vai reforçar a dieta alimentar com milho.


 


Já na produção do mel, a região vai contar ainda este ano com a primeira unidade de processamento, resultante da colheita prevista de oito toneladas deste produto.


 


Com efeito, decorre o melhoramento da cadeia de valores cujo projecto está a agrupar apicultores em associação e treinamento e a potenciar colmeias melhoradas, distribuição de “kits” com máscaras, luvas, uniforme e botas.


 


Inicialmente, o projecto foi financiado pelo Banco Mundial mas na sequência da instabilidade política pelo menos 30 apicultores dispersaram-se nas zonas de Nhapherua, Súbue-sede, Gumbalansai, Marínguè-sede e Nhamacolomo. Contudo, estão a ser reorganizados pela Associação de Desenvolvimento Económica (ADEL) em Sofala.


 


O fim disso é a construção de uma casa de mel que será concluída até ao fim deste ano para processamento em qualidade e comercialização.


 


 


 Dois anos depois da chegada da energia da rede nacional à vila de Marínguè já se regista um desenvolvimento assinalável das actividades sócio-económicas, sobretudo na componente turística.


 


Um exemplo disso é que está em fase conclusiva a construção da primeira pensão com arquitectura peculiar que, mesmo ainda no período experimental, constitui o principal cartão de isitas para os cidadãos nacionais e estrangeiros que escalam a zona.


 


Com 35 quartos climatizados, um restaurante-bar com capacidade de albergar mais de 100 pessoas, a referida unidade já alberga brasileiros, americanos, australianos, portugueses e, naturalmente, moçambicanos de proveniência diversa.


 


O proprietário do referido estabelecimento, Tomás Canxixe, manifestou a sua satisfação porque, antes da conclusão das obras previstas para Julho próximo, o seu estabelecimento está a ser alvo de elogios do público.


 


Com fundos próprios, em montantes que não revelou, a fonte anotou que com a trégua definitiva que se vive no país, Marínguè volta a registar um movimento desusado de pessoas e bens registando-se uma cada vez maior procura dos seus serviços.


 


 


 O DISTRITO de Maringué situa-se a Norte da província de Sofala, fazendo fronteira a norte com o distrito de Chemba, a sul com o distrito de Gorongosa, a este com Caia e a Oeste com o distrito de Macossa (província de Manica).  


 


Com uma superfície de 6.920 quilómetros quadrados e um universo de 97 mil habitantes, o distrito de Maringué tem uma densidade populacional de 11,6 hab/km. Predominam no  distrito duas estações do ano, uma quente e outra chuvosa que vai de Novembro a Abril, e a outra seca e fria de Maio a Outubro. Estas condições sofrem variações ao longo do distrito devido à influência de diferentes factores climáticos nas várias regiões circundantes.


 


A rede hidrográfica do distrito comporta os rios Nhamapaza, Fudza, Nhanzuazua, Sambeza, Pundza e Mupa, todos localizados no interior do distrito e, na sua maioria, com nascentes em Manica.


 


O relevo que cobre a região é semi-árido contíguo ao Vale do Zambeze com terrenos que apresentam declives quase planos a fortemente ondulados e localmente dissecados. No sul compreende altitudes que variam entre 200 a 1000 metros acima do nível médio do mar, com uma topografia ondulada.


 


Os solos são de textura variável, profundos a muito profundos, localmente pouco profundos, castanhos-avermelhados, sendo ainda ligeiramente lixiviados, excessivamente drenados ou moderadamente bem drenados e, por vezes, localmente mal drenados.


 


A vegetação é bastante diversificada, predominando florestas composta de miombos, fechada, serrada, arborizada, matagal e arbustos. Tem zoneamento das Coutadas números 6 e 15 com uma vegetação florestal estimada em 240.400 hectares, áreas agrícolas com 85.200 hectares, gestão faunística em 172.400 hectares e extensas áreas agrícolas.


 


Há mais de 20 anos, o acesso à vila de Maringué só era possível através da Estrada Nacional número Seis, cruzamento de Macossa-Maringué, numa extensão de 537 quilómetros a partir da cidade da Beira.


 


Só a partir de 2002, com a reabilitação da EN1 (Centro-Nordeste), foi possível a circulação normal de pessoas e bens, por Cruzamento de Nhamapaza com 31.5 km, sendo que a distância da Beira até vila de Maringué reduziu para 340 quilómetros.


Horácio João

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Jornal Notícias

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