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INHAMBANE: Há sinais de vandalização do regadio de Chimunda



O REGADIO de Chimunda, no distrito de Govuro, norte de Inhambane, denuncia necessidades de intervenção, com alguma urgência, para a reabilitação de algumas secções dos canais primários e secundários.


O facto que se presume seja resultado de actos de sabotagem protagonizados por pessoas desconhecidos acontece seis meses depois da conclusão das obras de construção deste empreendimento.


Para o efeito as autoridades administrativas locais, em coordenação com o Fundo de Desenvolvimento Agrário, estrutura implementadora do PIVASA a nível do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar, está a mobilizar recursos financeiros para a reposição dos canais danificados, segundo se acredita, pela invasão de bois à busca de água, assim como pelos pescadores que procuram o peixe arrastado do rio Save.


A vandalização da parte da estrutura do sistema de regadio foi confirmada pela administradora do distrito de Govuro, Maria do Céu, explicando que parte dos estragos causados em canais resultam da invasão do gado bovino que tem como pastores crianças, que ficam entretidas em brincadeiras enquanto os animais entram nos canais para beber água e na tentativa de sair danificam a estrutura.


Para corrigir a situação que neste momento impede a circulação da água por toda área do regadio, já que algumas secções feitas de betão foram partidas além das fissuras abertas, está em curso um trabalho envolvendo os líderes comunitários para sensibilizar os criadores, de modo a evitar que os seus animais invadam a área do regadio.


Paralelamente a esta acção, o Governo está igualmente a trabalhar com toda população para deixar de lançar redes mosquiteiras nos canais para apanhar peixe, porque esta atitude também provoca danos na infra-estrutura de rega.


“Para nós, Governo, o lugar da criança é na escola, daí que os criadores devem deixar de mandar as crianças levar o gado ao pasto, porque isso termina com a  devastação de machambas e neste caso concreto do regadio. Cada criador deve ser respondível dos seus animais. Existe um espaço para o pasto e água para os animais, portanto não é necessário levar o gado ao regadio, porque o Governo e os seus parceiros criaram condições para o efeito, sem ser necessário recorrer ao rio Save”, explicou Maria do Céu.


Sobre a pesca nos canais, a administradora de Govuro apontou o dedo acusador aos residentes locais que estragam a união entre duas secções de betão, feita com base em esferovite, material flexível e mole, onde colocam paus que asseguram a rede para pescar.


“Nós achamos que a pesca pode ser feita no rio, não é proibido, portanto a população deve respeitar esta área onde vai produzir melhor e a baixo custo para resolver os problemas da fome. Não há dinheiro para vedar a área do regadio para impedir a invasão dos animais, mas é necessário que a própria comunidade saiba que este empreendimento veio para ajudar a população local”, sublinhou a administradora distrital.


Os danos causados interferem, sobremaneira, no funcionamento do regadio em toda área e que há necessidade de mobilização da comunidade sobre a importância desta infra-estrutura no combate à fome, para além de respeitar o investimento realizado pelo Governo para a sua instalação.


 “Excelência, se me mandasse regar hoje, teria dificuldades de o fazer porque esta infra-estrutura está a ser alvo de sabotagem por parte de alguns residentes locais” disse o coordenador do Projecto de Irrigação do Vale do Save, PIVASA, António Guerra, na apresentação do projecto ao Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco.


António Guerra disse que para o sistema de regadio funcionar em pleno, tal como está projectado, é necessário que alguns canais vandalizados sejam reabilitados. “Da forma como o regadio está agora, não é aconselhável que funcione porque algumas áreas do perímetro abrangido não vão receber água”, disse António Guerra.


Ele explicou ao ministro José Pacheco que além do betão partido pelos animais na tentativa de saírem dos canais, onde entram para beber água, existem tampas das bocas de rega danificadas, uma acção que é deliberadamente feita por pessoas mal intencionadas.


Falando à nossa Reportagem, António Guerra disse que esta acção é perpetrada por residentes que sempre se opuseram à construção do regadio naquele local, uma atitude que obrigou, no início do projecto, à rectificação do desenho do plano para tirar algumas áreas que estavam dentro do perímetro do empreendimento, porque algumas pessoas não queriam.


“Tivemos situações de pessoas que claramente diziam que nunca pediram regadio, daí que não queriam que isto acontecesse. Por isso, não descarto a possibilidade de uma sabotagem. Assim, julgo haver toda necessidade de o Governo trabalhar na sensibilização e que os beneficiários se unam para manter a vigilância de modo a evitar esta vandalização”, opinou António Guerra.


O NOSSO GADO NÃO TEM ÁGUA


Os estragos causados na estrutura do regadio de Chimunda pelos animais resultam, para alguns criadores locais, do facto de o Governo ter concessionado a maior área de pastagem a um criador privado estrangeiro.


“O local onde íamos pastar o nosso gado foi ocupado por um operador privado e ele tem acesso à água do regadio, através de uma motobomba que o conectou ao sistema, enquanto nós não temos recursos suficientes para os animais, quer para pastagem, quer para eles beberem água. Como consequência, morrem por falta de pasto e água”, reivindicou Felisberto Gundana.


Ele disse ainda que a lagoa de Zimbir, onde grande parte do gado apanhava água, secou há muito por causas sobejamente conhecidas, como seca prolongada. Os pequenos pastores, por irresponsabilidade própria de crianças, no lugar de irem ao rio Save, preferem deixar os animais beberem água nos canais do regadio.


Zimbir reconheceu, no entanto, o esforço feito pelo Governo e seus parceiros na construção de bebedores comunitários e reserva de espaço para pasto comunitário mas, segundo disse, ainda não é suficiente para tanto gado que existe em Nova Mambone.


“Quanto à pesca nos canais, também são nossas crianças que fazem isso. Um adulto nunca pode fazer esse trabalho, tanto mais que o peixe que cresce naqueles canais não é próprio para o consumo humano. Portanto, já estamos a dizer às nossas crianças para deixarem de pescar nos canais”, disse.


 UM MÊS PARA REABILITAÇÃO


O director da obra de construção do regadio, Aires Enosse, disse que para obras de reparação dos estragos no sistema precisa antes mobilizar o equipamento necessário para a dimensão do trabalho, prover o material que será utilizado numa actividade que deverá levar no máximo três a quatro semanas.


Enosse explicou que a infra-estrutura hidráulica sofreu duas brechas em dois canais principais, cuja reparação pode levar duas a três semanas. “Mas também há problemas que resultam da própria concepção da estrutura. É necessário reparar as juntas para acomodar os efeitos da retracção do betão, porque aquele que construiu os canais primários e secundários não tem armadura, é apenas uma mistura de cimento e agregado, e isto provoca fissuras em todos os canais. Daí que há toda necessidade de levantamento das necessidades para reabilitar todo o sistema de regadio de Chimunda antes do início das actividades”, explicou o director da obra.


MOTIVAÇÕES CRIMINOSAS E NÃO POLÍTICAS


O ministro da Agricultura e Segurança Alimentar afastou a possibilidades de os danos causados deliberadamente por desconhecidos tenham motivações políticas.


“São sim motivações criminais. Antes de o Governo entrar na busca desses criminosos, os próprios beneficiários deste regadio devem agir no sentido de evitar que a infra-estrutura que muito vai contribuir na elevação dos níveis de produção agrícola seja sabotada”, reagiu José Pacheco à vandalização do sistema que ainda não completou um ano depois da conclusão das obras da sua construção.


“Quando o inimigo entra numa casa é porque alguém dessa mesma casa abriu as portas, daí que, para o caso em concreto, é necessário que os líderes locais, em coordenação com o futuro gestor do sistema, assim como o Governo local, encontrem formas de parar com a vandalização do empreendimento, pois não terá valido a pena o investimento realizado aqui na construção desta infra-estrutura, a pedido de algumas pessoas que não são poucas, para acabar definitivamente com a fome que fustiga milhares de pessoas na zona norte da província de Inhambane.


José Pacheco disse que a segurança do regadio é um desafio para todos, havendo, segundo disse, uma necessidade de colocar um sistema de vigilância para evitar a continuação das acções de sabotagem.


“O que é verdade é que o regadio está pronto para operar este ano, existindo já uma área de dez hectares para ensaios da funcionalidade do mesmo. Portanto não vamos recuar, construímos uma infra-estrutura para pormos as pessoas a trabalhar para matar a fome e caminhar para uma agricultura sustentável, vamos avançar”, garantiu o ministro.


Vitorino Xavier



Jornal Notícias

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