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Consumidores sem água mas com facturas elevadas



FACTURAS cada vez mais elevadas e água cada vez menos abundante nas torneiras é o cenário vivido um pouco pelos bairros do municípios da Matola e de Boane, na província de Maputo.


Se por um lado a busca de água está a obrigar a mais esforço por parte dos consumidores, por outro o valor das facturas está a deixar agastados os clientes da Águas da Região de Maputo (AdeM), que se queixam da cobrança de valores elevados, que não correspondem aos consumos.


No distrito de Boane a localidade de Djonasse é uma das que se tem debatido com restrições no fornecimento de água. Os moradores disseram ao nosso Jornal estarem a par do aumento da taxa desde Outubro do ano passado, mas os inquieta a oscilação frequente das facturas que recebem de um consumo praticamente inexistente. Estes temem que a se manter a situação não estejam em condições de cumprir com os pagamentos nos prazos estabelecidos, o que poderá implicar o corte no fornecimento de água.


“Tenho os meses de Março e Abril sem pagar porque as facturas são elevadísimas. Em  Dezembro de 2015 paguei 200,00 meticais, mas de lá a esta parte os preços têm subido e variam de 700,00 a 800,00 meticais, quando o consumo de água continua o mesmo”, disse Isac Magaia, que não compreende o que está a acontecer porque às vezes não sai água na torneira.


Magaia considera haver critérios pouco claros na leitura efectuada pelos técnicos da AdeM. “Os meus vizinhos que têm obras em curso e machambas gastam mais água mas mesmo assim pagam menos do que eu”, lamentou.


Em situação idêntica está Moisés Chemane, que ainda tentou abordar a Águas de Maputo mas que não teve sucesso. “Fui apresentar uma reclamação junto à Águas de Maputo mas a empresa disse que para resolver a situação tinha de primeiro pagar os meses em atraso”, disse Chemane.


Residências e terrenos não ocupados, alguns dos quais com contadores danificados, também são alvos de facturação elevada, o que suscita mais dúvidas ainda aos moradores sobre a forma como a cobrança de água é efectuada.


Embora a “asfixia” das facturas seja compensada pela saída ocasional de água nas torneiras em Djonasse, o mesmo já não se pode dizer em relação a muitas áreas de Tchumene II, no bairro da Matola-Gare, município da Matola, onde os moradores estão sem água há dois anos, mas que as facturas são emitidas sempre pela empresa fornecedora deste recurso.


Para a satisfação das necessidades básicas muitos recorrem a fornecedores privados e/ou em áreas vizinhas, onde por conta da inclinação ainda sai água. “Há dois anos que estamos sem água mas mensalmente recebemos as facturas. Às vezes não deixamos os técnicos fazer a leitura por estarmos cansados desta situação”, desabafou Celestina Sitoe, moradora daquela zona da Matola-Gare.


Após a constatação do estado obsoleto de alguns contadores os mesmos foram substituídos pela AdeM, sem no entanto se restabelecer o fornecimento de água.


Por desespero alguns com recursos próprios tentaram canalizar água das condutas gerais para as suas residências. “Tentámos fazer escavações para puxar água para as nossas casas. Os técnicos mudaram os contadores e sopraram mas até hoje não temos água”, lamenta Adelino Mudumbe.


Soubemos que por conta da falta de água algumas famílias com habitações concluídas no Tchumene II continuam sem se transferir para lá devido  ao problema da água.


ÁGUAS ANALISAM FACTURAÇÃO


A DIRECÇÃO da empresa Águas da Região de Maputo (AdeM) reconhece a existência de limitações no abastecimento de água nas áreas de expansão dos bairros da Matola e em Boane, mas diz haver um trabalho em curso para resolver o problema da facturação.


O porta-voz da AdeM, Fabião Guiuele, disse à nossa Reportagem que a empresa está a proceder à análise das contas dos clientes que receberam facturas nas zonas sem água de modo a se proceder ao estorno da facturação. No município da Matola já foram suspensas as contas de oitocentos clientes nestas condições.


Guiuele avança que as tarifas de consumo de água foram agravadas em 3% em Outubro do ano passado. Mesmo assim, tranquiliza, o contador ainda é instrumento credível para a leitura do consumo, cujo valor mínimo é estipulado em 5 mil litros por família, não obstante existirem casos de clientes que chegam a consumir 15 mil a 20 mil litros por mês.


O rápido crescimento populacional nas zonas em expansão da Matola e Boane tem exercido pressão sobre o sistema de abastecimento de água. A título de exemplo, o Centro Distribuidor da Matola-Rio, responsável pela provisão de água aos bairros Djonasse, Beluluane, Djuba, Matola-Rio e parte de Chinonanquila foi inicialmente concebido para abastecer a 5 mil famílias, mas actualmente serve a cerca de 15 mil agregados.


Cenário idêntico se verifica no Centro Distribuidor de Tsalala, no município da Matola, que foi dimensionado para 24 mil clientes, mas conta agora com 116 mil famílias. Para o alcance do maior número de consumidores a AdeM tem racionalizado a distribuição de água, fazendo-o de forma alternada por zonas, e em alguns casos por dias.


ESPERANÇA NALGUNS BAIRROS


Aliado a este factor, as ligações clandestinas têm, segundo a nossa fonte,  limitado a distribuição normal de água. Anualmente é detectado perto de 2000 clientes clandestinos em Maputo e Matola, cujo consumo não é registado nos contadores.


Para incrementar os volumes de água em Boane e Matola o Fundo de Investimento e Patrocínio de Abastecimento de Água (FIPAG), entidade responsável pelo financiamento de infra-estruturas de abastecimento de água, prevê introduzir até Setembro deste ano duas condutas com diâmetro de 400 milímetros.


A primeira conduta vai canalizar água do Centro de Tratamento de Umbelúzi para reforçar a água nas zonas de Beluluane e Djonasse. A segunda conduta irá partir do Centro de Abastecimento da Machava para o Centro de Tratamento de Tsalala, beneficiando os bairros de Mussumbuluco, Tsalala e Sikwama.



Jornal Notícias

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